O Último Suspiro do Rock n’ Roll

O Último Suspiro do Rock n’ Roll

Por Rodrigo Cordeiro

 

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Foto retirada da internet (crédito: mygnrforum.com)

 

 

 

Em primeiro lugar não estou aqui para dar aula de Rock pra ninguém, até porque tenho muito que aprender e isso não se faz em um texto, mas sim ouvindo as influências de suas influências e “bebendo na fonte”. Acredito que se aprende um pouco sobre o Rock caminhando por sua história: Desde a música feita pelos negros nos anos 30 e 40 (Vide Sister Rosetta Tharpe – para alguns a precursora do estilo) seguindo pelo mais mainstream (Chuck Berry, Elvis PresleyThe Beatles, The Rolling Stones, etc..) passando pelo Queen, Led Zeppelin, Aerosmith e um pouco mais adiante Nirvana e Guns n’ Roses… Ah! o Guns n’ Roses! O que dizer dessa banda?! A mais perigosa do mundo! Bom, este texto foi escrito por causa deles!

O Rock n’ Roll está morrendo? Bom, eu acredito que nunca morrerá de fato, visto que ainda há algumas bandas o representando na grande mídia (goste ou não, o Foo Fighters está aí!). Então porque temos ouvido e lido tanto sobre a morte do Rock n’ Roll e a falta de esperança no estilo? Em minha opinião é pelo que ele virou. O Rock é transgressor, sempre foi e sempre deveria ser: falou o que ninguém falava e deu um tapa na cara da sociedade desde seu início, seja nas atitudes agressivas, nas letras para refletir, nas quebras de paradigmas e preconceitos, nas roupas e maquiagem ou em todo o exagero que circunda e enche de ‘glamour’ os envolvidos, e atualmente tem ficado deveras bonzinho.

O estilo em meados dos anos 90 e início dos anos 2000 veio perdendo força com a falta de espaço na mídia e a chegada de novos gêneros musicais, além da mudança nos formatos de distribuição da indústria fonográfica e a falta de verba das gravadoras devido à queda de vendas e afins. Consequentemente vem ocorrendo uma constante baixa na demanda pela maioria ‘consumidora’ e uma aceitação mais abrangente sobre o que é Rock por parte dos seus atuais consumidores. O rótulo nem sempre é importante e podemos englobar muitos artistas de cunho mais midiáticos dos últimos anos, como é o caso do já mencionado Foo Fighters, Nickelback, Slipknot, SoaD e outros, mas o tipo de transgressão que essas bandas oferecem ainda é falho quando as colocamos nos patamares das ditas ‘bandas clássicas’, isso sem falar das bandas que não tem absolutamente nada a ver com o estilo e caem de paraquedas nesse grande gênero (como é o caso de Coldplay, Radiohead, Imagine Dragons, etc). Um fator preponderante para saída dos figurões e entrada de bandas como essas é a velocidade da informação e o fácil acesso as músicas (mp3 e as atuais plataformas de Streaming). Talvez isso nos induz a não dar a atenção devida às novidades das bandas clássicas e nem as grandes bandas novas que escutamos por aí, resultando em uma enorme escassez de novos ídolos no mercado do Rock (agravada pela morte dos que já se foram e dos que estão indo) e deixando as portas abertas para as chamadas “bandas de internet” que – salvo certos raros casos – em sua maioria tratam-se de jovens que não tem nenhuma afeição e empatia com o estilo, mal sabem empunhar seu instrumento e fazem parecer que o Rock  pode ser feito por qualquer um. Um engano grave na música atual! O Palco não é pra qualquer um, ainda mais quando o assunto é Rock, você precisa ser verdadeiro! O rock é transgressor, mas nem toda transgressão é Rock!

A falta de novidade também contribui para a decadência, o que não necessariamente significa falta de criatividade das bandas, músicos e artistas que o permeiam, até porque o brilho está na‘simplicidade’ vitalícia do Rock, é um estilo finito e cíclico, mas que necessariamente deve continuar assim. O que faz a diferença é cada arranjo, cada solo primoroso, cada letra genial e cada groove, seja ele o mais ‘simples’ como os do AC/DC ao mais complexo que John Bohan já tenha tocado. Porém, se existe uma banda que pode trazer o Rock de volta para o Mainstream, essa banda é o GUNS N’ ROSES.

Acredito eu que nenhuma banda conseguiu ser tão agressiva e tão popular quanto o Guns n’ Roses foi no início dos anos 90, sua história e sucesso repentino vindo de L.A no auge da criatividade musical e insanidades particulares daqueles 5 caras, junto a todos os problemas e exageros que dizem ter vivido/cometido, ao visual arrebatador e diversos outros fatores tivemos a última grande banda de Rock de verdade. Sim, é isso mesmo! Música, Atitude e Verdade no que faziam. Não vou me perder nesse texto entrando nos méritos da esplendorosa história da banda, vou me ater ao seguinte tema:

–  O que significa pra música a volta de Slash e Duff para o Guns n’ Roses?
Pra mim, como o título já adianta significa “O Último Suspiro do Rock n’ Roll”. Embaso minha – talvez – audaciosa tese nas figuras icônicas que são Slash e Axl Rose. A grande ‘volta’ como muitos tem tratado, na verdade não é uma REUNION e é justamente o que acende em mim a chama da esperança e o brilho no olhar ao vê-los juntos no palco novamente, afinal foram 23 longos anos de separação entre Axl e Slash.
Resumidamente, a história recente é: com a baixa de 3 membros que já acompanhavam a banda há muitos anos (Ron Bumblefoot, Dj Ashba e Tommy Stinson – esse último foi um dos membros com mais tempo de banda) aconteceu o retorno de Slash e Duff (voltando ao formato ‘clássico’ de 2 guitarras) e foram mantidos o Baterista Frank Ferrer , o guitarrista Richard Fortus, Dizzy Reed nos Teclados, Pianos e programações e a mais recente Gunner Melissa Reese também nos teclados e programações. Bem provável que Adler e Izzy participem de algumas musicas em alguns shows, mas isso é outro ponto.

Com tudo que envolve essa nova/velha fase do Guns, e toda a mídia já gerada pela volta de Duff e principalmente Slash, temos de volta 3/5 da maior banda de Rock dos últimos 25 anos. Existe uma magia especial e inexplicável que os envolvem e sei que veremos novamente grandes canções do Guns n’ Roses em muito breve, podendo atrair a atenção do mercado consumidor para o Rock.
Isso pode e deve influenciar as diversas gerações atuais que carecem de Rockstars, assim como as novas gerações de guitarristas (Slash foi o último ‘guitar hero’) e consequentemente uma vindoura safra de boas bandas com algum espaço maior para elas e para quem já esta na estrada há algum tempo e não tem a visibilidade.

Para concluir todo meu otimismo com o Guns n’ Roses e dedicá-los a árdua tarefa de ‘salvar’ o Rock, ressalvo as más noticias e previsões como o recente anúncio de aposentadoria em 2 ou 3 anos do Black Sabbath e Aerosmith, os já aposentados do Motley Crue, uma não muito longe do Iron Maiden, Kiss, Rolling Stones e provavelmente alguns outros que devem encerrar suas carreiras (forçadamente ou não) em breve.

Portanto esse é provavelmente o ‘Último Suspiro do Rock n’ Roll’!

Termino esse texto com esse vídeo maravilhoso da formação atual da banda tocando uma música do Chinese Democracy, This I Love.