Dolores Dolores: Nova Identidade Visual

Por Rodrigo Cordeiro

LOGO QUADRADA PARA COLETANEA EM ALTA - DOLORES DOLORES

 
O Som da Dolores Dolores é concebido sem fronteiras ou estereótipos. É como dirigir em uma rodovia sem destino certo, apenas com o sentimento que você precisa fazer aquilo, daquela forma e naquele exato momento. Forçamos nossa expressão artística pessoal e conjunta ao limite, trazendo à tona toda a verdade que habita em nossas almas e fazendo o que de melhor sabemos fazer, música.

Nosso propósito sempre foi conseguir transferir para o público em forma de música toda essa liberdade do processo de composição e com isso o feedback sempre foi satisfatório; é comum ouvirmos das pessoas que nossos cds não saem dos seus carros ou que são a trilha favorita para suas viagens, e essa é a motivação que nos mantém vivos e inspirados para continuar escrevendo músicas que de alguma forma ainda tocam o coração das pessoas.

Baseado em nossas experiências pessoais e no retorno do público, revitalizamos nossa identidade visual, com uma nova logomarca e novo layout das redes sociais, em breve também estaremos disponibilizando para a compra o merchan da banda, espero que gostem e continuem pegando carona conosco nessa auto estrada sem destino.

Dolores Dolores.

Pra quem não conhece o som tem vários vídeos em nosso canal do Youtube:

 

Tambem estamos no Instagram como @Doloresdoloresrock e em todas as plataformas de Streaming (Spotify, Deezer, Itunes, Amazon, Cd Baby e Google Play) basta procurar DOLORES DOLORES

Solos Coloridos: A Sinestesia nas Guitarras do Rock

Por Rodrigo Cordeiro.

Guitarra de acrílico 1
Imagem retirada da internet, fonte: http://www.guitarcoast.com/2015/05/guitarras-de-acrilico_6.html

 

 

 

Através da música os artistas tem a possibilidade de despertar certas emoções nas pessoas e muitas vezes isso ocorre de forma totalmente racional, um cuidado mais comum nas composições eruditas em que histórias são contadas e existe a presença de personagens, temas de amor, danças e/ou enredos com momentos de tensão, tempestades, cavalaria, etc. No entanto, apesar de existirem músicas ‘populares’contemporâneas onde as harmonias e melodias se casam com a história (ou estória) contada, obviamente não podemos compará-las com as grandes obras dos compositores do passado. Erudita ou não, a música tem um poder tão forte que nos faz conseguir distinguir sentimentos e entendermos uma história mesmo sem existir uma letra e para mim, além do que é ‘dito’ nas entre-linhas de uma melodia, tenho o hábito de relacioná-las com cores.

Essa relação sempre foi muito presente na minha cabeça: Melodia = Cor e após um breve – porém esclarecedor – estudo sobre sinestesia, que a grosso modo é o cruzamento ou relação de diferentes sentidos (normalmente de forma espontânea), achei interessante falar um pouco sobre isso. Descobri que de uma forma mais abrangente, grandes músicos como Syd Barret e Jimmy Hendrix, além de muitos outros também sofriam do mesmo quadro, não sei dizer com certeza se existe uma forma de se diagnosticar isso, mas fato é que a minha Sinestesia acontece há muitos anos de uma forma muito natural e especificamente em solos de guitarra. Essa condição, também se apresenta em músicas em geral, principalmente nas músicas eruditas e em menor quantidade nas músicas contemporâneas, já nos solos de guitarra sempre esteve presente, em especial as cores Vermelho e Azul, Roxo e Amarelo e cinza (vou exemplificar todos). Isso nem sempre depende do ‘tema’ do solo, e é inteiramente dependente da característica do timbre do guitarrista; normalmente sinto uma tendência ao Azul nas guitarras com captação ‘humbucker’ em especial as de modelo Les Paul e um som vermelho para as guitarras com captação ‘single’ em especial as modelo Stratocaster, mesmo assim existem exemplos distintos de cores em modelos de guitarra iguais (Obviamente vai depender do aparato inteiro do guitarrista, e, claro, de sua técnica e ‘pegada’).

O azul normalmente aparece pra mim em temas mais ‘chorados’, é aquele solo que mais te emociona do que impressiona e como eu disse é mais comum em guitarristas que usam Les Paul; a cor azul normalmente está ligada a serenidade e harmonia ou frieza e depressão, e um dos mestres da cor azul – curiosamente – usa um modelo Stratocaster, trata-se de David Gilmour. Ouros guitarristas que flertam sempre com essa cor são: Slash, Gary Moore, Santana, Steve Vai e B.B King, só pra citar alguns. Abaixo coloquei 3 exemplos de Solos totalmente azuis pra mim.

David Gilmour – Confortably Numb

Gary Moore – Still Got The Blues

E uma das músicas mais azuis de todos os tempos:
Steve Morse – Sometimes I fell Like Screaming (Deep Purple)

 

Como é possível perceber nos exemplos acima, a sensação de serenidade e tristeza, estão presentes no tema e no timbre, o que me faz enxergar o azul, seus instrumentos soam aveludados, e é como se uma flauta ‘cantasse’ a melodia da guitarra, normalmente são timbres mais graves e encorpados.

No caso da cor vermelha, são solos mais ardidos e rasgados, o vermelho normalmente está ligado ao perigo, violência e energia, é uma cor quente e mesmo sendo relacionada a paixão, no caso em específico dos solos de guitarra nem sempre trazem esse sentimento. Dentre os tantos que costumam flertar com essa cor, citaria Stevie Ray Vaughan, Jimmy Hendrix, Angus Young e Ritchie Blackmore.

Abaixo 2 exemplos de solos vermelhos:

Stevie Ray Voughan – Pride and Joy

 

Angus Youg – Hells Bells (AC/DC)

 

Os solos vermelhos são mais ardidos, geralmente mais agressivos do que os azuis e tendem a ser menos “feeling”, na minha opinião.

Quando o guitarrista tem um pouco de cada, costumo enxergar o Roxo. Esse é  um caso menos comum, mas como essa cor representa a junção do vermelho e azul é a que aparece na minha cabeça para representar esse tipo de som. Um dos guitarristas consagrados que dominam muito bem o ‘roxo’ é o Richie Kotzen, ele tem muito de azul e vermelho mesmo com uma maior tendência ao vermelho. Como exemplo, resolvi usar um solo do Humberto Maldonado (Dodo) que é Guitarrista, produtor e meu ‘bandmate’ da Dolores Dolores, é um mestre no assunto, sempre com solos melódicos e serenos, mas ao mesmo tempo bem ardidos e virtuosos.

Humberto Maldonado – In Spite of Me (Dolores Dolores)

 

A Cor Cinza, apesar de representar elegância e neutralidade, eu normalmente a relaciono a melancolia e mais em específico a sons um pouco mais obscuros e macabros, o Rei nesse assunto, que também não fica atras no âmbito da elegância seria Tonny Iommi, e tenho certeza que esse é um caso que o som em geral da banda me leva a enxergar essa cor.

Tonny Iommi – Eletric Funeral (Black Sabbath)

 

Um ‘plus’ apenas para não passar batido é a cor amarela, que geralmente eu enxergo em timbres que estão além do Azul na serenidade e além do vermelho na agressividade, e que fogem da simples mistura das duas cores, no momento, eu apenas consigo me recordar do Van Halen nessa categoria e creio que ele desenhe as melodias de sua guitarra sozinho nessa cor.

Van Halen – Why Can’t This Be Love

 
Bom, minha experiência com a Sinestesia é essa. Espero ter conseguido explicar a minha relação com o assunto de uma forma clara, acabei ficando fascinado pelo tema desde que descobri que existe um nome e estudos sobre isso, vou me aprofundar e possivelmente em um futuro breve abordá-lo de forma mais profunda. E você, tem alguma experiência Sinestésica parecida?!

Música & Mídias digitais: Entrevista com Leandro Martins

Um dos meus maiores objetivos com a criação desse WordPress, é a divulgação de forma colaborativa do trabalho de profissionais – principalmente – da área da música que com suas opiniões nos ajudam a refletir sobre as plataformas atuais do mercado.
Sendo assim, tenho a vontade que essa seja a primeira de muitas entrevistas e colaborações com os profissionais que agregam valor a esse conteúdo. Para estrear convidei ‘meu amigo pessoal’  Leandro Martins para falar um pouco sobre o modelo de distribuição da música e seu trabalho nos dias de hoje, de antemão já agradeço sua predisposição em participar e vamos lá:

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Em primeiro lugar obrigado por aceitar o convite, conte um pouco da sua história com a música e da sua formação.


L.M: Bom, desde criança tive a influência do meu pai, que sempre tocou violão, e da minha mãe, que sempre foi apaixonada por piano, entretanto era mais uma brincadeira. Aos 6 anos, iniciei aulas de piano, praticava em um órgão velho que eu por sinal amava o som. Nessa época eu troquei de instrumento algumas vezes até que, aos 11 anos, eu cai no violão e acabei me apegando muito, talvez pela facilidade de poder levar o violão para qualquer lugar, não precisar de tomada, poder tocar em qualquer horário… Mesmo assim, depois de um tempo, fui para o contra-baixo, e posteriormente para a guitarra, instrumento que sempre quis tocar mas nunca havia tido a oportunidade, acabei me viciando na guitarra e desde então é meu instrumento principal.


É notável que vemos uma grande parcela dos profissionais da música mais antigos avaliando a internet, em especial os serviços de streaming como Spotify, Deezer, Youtube e outros, como um dos fatores preponderantes para a queda do consumo da música paga, em contra partida temos uma série de novos artistas/bandas que surgiram para o grande público justamente por conta desse tipo de plataforma. Como você avalia o modelo de distribuição da música atual e como isso influência na sua forma de se colocar no mercado?

L.M: O momento em que vivemos não é nada fácil para quem quer ser músico, porém ficar reclamando não leva a lugar algum, então o que resta é nos adaptarmos, dessa forma, ao mesmo tempo em que se tornou complicado ganhar dinheiro com música se tornou mais fácil divulgar, me lembro 15 anos atrás só quem me conhecia eram as pessoas do meu bairro, atualmente, devido a internet, pessoas do mundo inteiro acompanham meus vídeos. Mas independente das mudanças que o mercado vem sofrendo eu acredito que o excelente músico sempre terá espaço, as vezes ele vai gravar, as vezes tocar em shows, ou dar aulas. A intimidade com seu instrumento é e sempre foi o ponto mais importante para um músico.


Você tem diversos videos interpretando covers e músicas autorais no seu canal do Youtube e mais recentemente começou a disponibilizar faixas do seu DVD ao vivo instrumental gravado recentemente, você acha justo a distribuição -praticamente- gratuita da música na atualidade?

L.M: Absolutamente não, não acho justo, porém não há escolha, se eu for cobrar poucos pagarão, e disponibilizando um bom material gratuito eu consigo atingir mais pessoas, tocar com mais bandas e dar mais aulas, ou seja, você faz um trabalho para ter retorno com outro trabalho.


Existem artistas hoje que produzem apenas para seus canais de vídeos, trazendo conteúdos mais curtos e rápidos como músicas pequenas ou apenas mini video aulas, licks rápidos e trechos de algum material que poderia ser mais aprofundado, assim como a rádio sempre influenciou muito no mercado mais ‘pop’ com músicas mais curtas e enxutas para melhor assimilação do público em geral e outras ‘exigências’ para execução. No seu caso, o seu processo de composição e divulgação é livre ou é influenciado por esse tipo de plataforma?

L.M: Para mim o mais importante é sentir que o meu trabalho me faz evoluir como músico, não pretendo ficar fazendo vídeos que apenas me tragam visibilidade porém sem me desafiarem de algum modo. Para mim seria muito mais fácil postar vídeos improvisando no youtube do que compor músicas, fazer arranjos…mas não é o que pretendo fazer.
 

A internet favorece em muitos aspectos mas nos trouxe a tona um mercado de músicos e composições enlatadas. Quais os principais fatores que o fazem se distanciar da ‘mesmice’ do mercado atual?

L.M: O que eu busco é a música, por mais que nós tenhamos resquícios culturais que nos fazem seguir certos caminhos eu sempre tento responder da forma mais pura quando estou compondo, nunca fico pensando “vou colocar esse acorde porque todo mundo faz assim”, eu prefiro ir pelo caminho mais “sincero”. Dessa forma você tem mais chance de ser menos comum.


Alguns anos atrás você havia me dito que tinha intenção de que próximo dos seus 30 anos gostaria de gravar um cd onde você também cantasse, isso ainda está nos planos?

L.M: Sim, sem dúvidas, é meu projeto principal desde o ano passado, já tenho mais de 80 músicas e ainda não estou satisfeito, compus muito ano passado e esse ano, tanto em inglês, quanto em português, estou realmente me descobrindo, está sendo maravilhoso para mim. Mas é um projeto onde não quero demarcar prazos, estou compondo, gravando, mas ainda não sinto que está do jeito que eu quero.


Quem acompanha seu trabalho sabe que apesar do seu ‘pouco’ tempo de Belo Horizonte, você é um dos músicos mais ativos da cena mineira. Entre trabalhos com bandas autorais, produções independentes, freelancers com cantores e duplas sertanejas e seu trabalho solo você se destaca como músico e como instrumentista. Quais são os pontos positivos e negativos nos resultados finais de se trabalhar com tantas bandas e artistas diferentes e o quanto isso ajuda/atrapalha seu trabalho solo?

L.M: Sem dúvida toma muito tempo, essa é a parte ruim. Ao mesmo tempo sempre precisei de grana para me manter então tinha que estar tocando, e obviamente você aprende muito em shows, eu sempre me considerei um músico de palco, meu lugar é muito mais no palco que no estúdio. Mas sinto que no momento preciso sair um pouco do palco para concentrar nesse novo trabalho, e é isso que farei.


Você teve a oportunidade de morar em Malta e rodar em alguns lugares da Europa, o que te chamou a atenção nas diferenças culturais das cenas locais para a de Belo Horizonte?

L.M: As pessoas na Europa valorizam mais a música autoral do que aqui, essa foi a minha experiência. Vendi vários discos, além de ter tocado em um projeto muito louco, eram dois percussionistas, baixo e guitarra, nós não ensaiávamos, não havia repertório, era praticamente tudo improvisado, eu criava temas em tempo real e o povo adorava. Não creio que isso daria certo por aqui.


Qual a sua opinião sobre essa ‘batalha’ eterna da cena Cover x Autoral, os espaços dedicados, o público e a visão do empresário?

L.M: Generalizando, o empresário quer apenas ganhar dinheiro, o público quer apenas beber, e o músico quer apenas tocar…Claro que isso não funciona com todo empresário, nem com todo público ou todo músico, mas sinto que essa balança está cada dia pior, no Brasil o povo vai no show para beber e cantar, ou seja, música autoral está fora, ao menos que você toque na rádio, e tocar na rádio é um outro problema talvez ainda maior…


Você conseguiria imaginar um caminho para a sua carreira caso não existissem redes sociais e divulgação pela internet?

L.M: Sim, sem dúvida, antigamente todo mundo que me conhecia havia me visto em um show, ou algo do tipo, o público era muito mais fiel, sempre iam nos shows, hoje em dia você coloca um vídeo no facebook, alguns curtem e se você colocar amanhã outro vídeo essas pessoas já nem sabem mais quem você é…


Você consegue vislumbrar um futuro positivo para a música de qualidade ou acha que de fato o mercado esta imerso num tal patamar que a tendência é que se piore? Acha que as redes sociais tem papel fundamental para isso?

L.M: A única solução que vejo para um músico que quer fazer uma música de qualidade hoje em dia é que ele seja realmente incrível, não estou falando do cara ser bom, o cara tem que ser um absurdo, não necessariamente tocando, ele pode ser um fantástico compositor, ou cantor, ou ser fantástico no palco, ou seja, ele precisa ser incrível em alguma coisa.

Obrigado, espaço para deixar seu recado, contatos, site, redes sociais

Bom, meu site é: www.leandromartins.com , tem também meu canal no youtube, minhas páginas no facebook, em todas essas redes é possível conhecer meu trabalho.
Muito obrigado pelo espaço, é sempre muito legal tratar destes assuntos, tentar encontrar novas soluções…

Espero ter ajudado de alguma forma.

Leandro Martins.

Para encerrar, deixo para vocês uma das minhas músicas prediletas do Leandro!

https://www.youtube.com/watch?v=BptWBg45yCE