Resenha: Double Cross – ‘Obey Thy Master’ – ( Single 2020)

Resenha: Double Cross – ‘Obey Thy Master’ – ( Single 2020)

Qual o limite entre soar original ou uma simples cópia das suas influências?!

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Pra quem acompanha o metal de Belo Horizonte há mais de 10 anos talvez nenhuma dessas 3 caras sejam novidades na cena, sempre com trabalhos extremamente competentes Thiago Brotão (GodAlien) – Baixo / Ghuzz (GodAlien, Wisache) – Bateria / Alex Albernaz (Divine Death, Nostos) – Vocal & Guitarra, decidiram unir as forças num projeto novo de Metal, aliás, não há outro complemento pra ‘rotular’ o Power Trio, é metal pra caralho!

Da o play aqui e vai lendo a resenha!

A banda começou suas atividades em meados de 2019 e no fim do mesmo ano gravou o seu EP de estreia, que em breve estará disponível nas plataformas digitais. Para dar o ‘start’ na carreira e mostrar o cartão de visita, estão promovendo seu primeiro single: “Obey Thy Master”. O Material foi registrado ao vivo no Estúdio Solo em Belo Horizonte, com o grande Rodrigo Aires Grillo responsável pela Engenharia de Áudio. ‘Grillo‘ é baixista de uma das bandas de Metal mais respeitadas de BH, o CARAHTER, além de ser o Engenheiro de áudio do estúdio Minério de Ferro (Jota Quest) e ter uma vasta experiência no mercado fonográfico.
A Mixagem e Masterização ficou a cargo do ‘gringo’ Dennis |DerClint| Israel (Clintworks, Alemanha), que já trabalhou com o Amon Amarth. Obviamente o resultado não podia ser nada menos que espetacular, a qualidade é de nível internacional, o famoso “som gringo”.

E se tem esse cuidado com a produção não podia faltar com a arte, correto?!

Essa belíssima arte foi criada pelo Designer baiano Emerson Maia, e a banda já está comercializando as camisetas em um material de primeira qualidade (Compre aqui).

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Bom, e vamos à parte principal, de nada adiantaria toda essa embalagem se o produto não fosse de qualidade!

Para falarmos sobre o som da Double Cross, é importante nos fazermos uma pergunta antes: Qual o limite entre soar original ou uma simples cópia das suas influências?! Se tivéssemos que estabelecer essa linha, acredito que a Double Cross estaria de forma muito sólida nesse limiar, mas não se engane, isso não é uma crítica, é um elogio. Como eles mesmos disseram na entrevista em que contam o processo de gravação do trabalho (assista aqui), eles vieram “para honrar os mestres Venom, Motörhead e outros” e posso afirmar com absoluta certeza que estão honrando!
O Som é uma porrada, um metal direto com pitadas de diversos estilos, mas é metal, com todos os elementos que fazem desse o estilo adorado por uma legião. Riffs poderosos, uma bateria na cara, o baixo fazendo perfeitamente a cola entre tudo e um vocal rasgado e com muita personalidade que eu tenho certeza que vai fazer os fãs do estilo baterem cabeça sem dó!
A letra de ‘Obey Thy Master’ trata do obscuro e faz alusão ao ‘pai do rock’, Lúcifer. Poderia ser facilmente inspiração para algum filme de terror e é praticamente um mantra, na contramão dos tradicionais valores da sociedade ‘cristã’ (seja lá o que isso significa!) e deixa a mensagem clara: “Obedeça vosso mestre, Lúcifer!”
Pra quem é headbanger não tem como não se empolgar! Ao melhor estilo Lemmy, faça seu Jack ‘n’ Coke e ouça orgulhoso, ou corra pro MoshPit na primeira oportunidade que tiver de vê-los ao vivo para fazer jus à proposta da banda!!
Altamente recomendado pra fãs de Iron Maiden, Venom, Motörhead, King Diamond, Ghost, etc.

http://facebook.com/doublecrossbr
https://www.instagram.com/doublecrossbr/

https://doublecrossbr.bandcamp.com/releases

O ‘Frame’ Caótico da Mente de Beto Lani

O ‘Frame’ Caótico da Mente de Beto Lani
Roberto Leite, aka Beto Lani, é um guitarrista daqueles que desde sempre soube medir muito bem a técnica e o feeling. Dono de solos marcantes no seu trabalho com a Wisache, está lançando seu primeiro cd, “Chaotic Frame of Mind”, e gentilmente conversou um pouco comigo sobre essa nova etapa da sua carreira.

De cara já vou deixar >> AQUI << o link para o spotify pra você ouvir enquanto lê a entrevista

Altamente recomendado para fãs de Rock Moderno com pitadas de progressivo, um pouco de Enuff Z’Nuff e Jani Lane, Queensryche e claro, Wisache.
Destaco minhas faixas favoritas Identity, To Find It e a belíssima balada Till Nothing do Us Apart.

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Lani, pra quem – ainda – não te conhece, comece por favor com uma breve apresentação sobre sua carreira musical;

BL: Bom, eu toco guitarra e violão desde os 11 anos, leciono desde os 17. Sou formado em Habilitação em Educação Musical pela UEMG. Já participei de várias bandas, mas acho q as 3 mais relevantes são a Wisache, a Brave e o Rock Station. Com a Wisache gravei o Ep Shout It e o álbum Polluted tocando guitarra, e fiz vários shows importantes pra minha carreira, como a abertura do Sebastian Bach e o Hard Rock All Stars. Minha passagem pela Brave também me rendeu bons frutos, acho que o melhor deles foi a vaga no Rock Station em 2009, e foi nela que eu peguei experiência profissional, tocando nas melhores casas de rock de Belo Horizonte. Hoje eu ainda sou guitarrista e vocalista do Rock Station. Mas eu sempre fiquei com essa lacuna de mostrar o meu trabalho próprio, então finalmente tive a coragem e disposição para gravar e lançar esse disco.

A principal parte da sua carreira autoral foi dedicada a Wisache. Você sempre teve a pretensão de lançar um disco solo ou foi uma necessidade natural após sua saída da banda?

BL: Nunca tinha pensado em fazer carreira solo, sempre me imaginei sendo guitarrista de uma banda de rock. Mas com o passar do tempo fui me interessando pela técnica vocal, já que eu sempre gostei muito de cantar. Após a saída da Wisache, achei que seria mais fácil e viável tentar fazer o cd e as composições sozinho, então me veio esse insight de tentar uma carreira solo. Creio que a necessidade tenha sido mais pela logística de como a coisa toda iria acontecer.

Sei que esse álbum tem a peculiaridade de ser um apanhado de músicas mais antigas que você havia escrito pra outros projetos e músicas recém-escritas. Como funcionou de maneira geral o processo de composição das novas músicas e ‘rearranjo’ das músicas antigas?

BL: Bom, o ponto de partida foi justamente resgatar essas músicas que eu compus durante todos esses anos. Ao escutar as gravações e relembrar os riffs percebi que tinha muita coisa que dava para ser aproveitada, das 12 canções, eu compus do zero mesmo apenas duas, Misplaced e Inside. Todas as outras músicas ou já estavam prontas, ou eu trabalhei riffs e bases já compostas. As melodias vocais, em sua maioria, foram compostas para esse disco, algumas até durante as gravações. Eu tenho gravações de algumas aqui com linhas vocais totalmente diferentes, mas que se encaixavam melhor com os vocalistas dos outros projetos. No fim das contas foi como pegar uma história inacabada e simplesmente ir lá e terminá-la.

Além de guitarrista e compositor, você está assumindo também um papel inédito de ser o vocalista em todas as faixas. Quais têm sido as suas principais dificuldades e motivações pra ser o ‘Frontman’ na guitarra e nos vocais?

BL: Uma coisa estava clara na minha cabeça, antes mesmo de iniciar esse processo todo, eu iria cantar as minhas músicas. Essa foi a motivação, e claro, muitas, mas muitas aulas de canto, ao mesmo tempo essa é minha maior dificuldade. Cantar pra mim, é o mais difícil a se fazer, é uma exposição quase que de 100 % do que você é, e eu sempre me escondi na guitarra, então, eu senti que essa era a hora de me assumir como cantor também. Eu sei que eu canto uma grande parte do repertório do Rock Station, mas na banda não existe essa pressão de “frontman”, de vocalista principal, já aqui, é totalmente diferente!

Falando agora um pouco sobre mercado, você tem optado por um projeto de divulgação que mistura um pouco do modelo tradicional com a venda da mídia física, e ao mesmo tempo liberando fragmentos do cd no seu canal do youtube. Em sua opinião, a venda da mídia física ainda é fundamental?

BL: A mídia física é muito importante, principalmente para quem tá no início da carreira como eu, ela valoriza o seu trabalho. É claro que não faz sentido prensar 1000 cópias, mas ainda tem procura.

O meu financiamento coletivo que está em voga já arrecadou mais da metade do valor proposto, e ele é única e exclusivamente para produzir a mídia física.

Antes de falar um pouco mais detalhadamente sobre algumas faixas do cd, quais são as suas principais influências atualmente? E apesar de ser difícil para um artista comparar sua própria obra, a título de ‘indicação’, Beto Lani é recomendado para fãs de quais bandas ‘referência’?

BL: Esse foi o problema que eu encontrei na hora de colocar referência de bandas nos sites de streaming, achar artistas parecidos. Claro que tem um monte, não estou dizendo que o meu som é único, longe disso. Mas é que eu escuto tanta coisa e me influencio por tanta coisa, que eu fico num limbo na hora de pensar nisso. Agora atualmente eu tenho sido muito influenciado por metal moderno, bandas como TesseracT, Periphery, Mastodon, por exemplo, mas ao mesmo tempo tenho ido muito pros anos 70 mais na vibe do David Bowie e Lou Reed, mas no cd você não vai ouvir tanto essas influências, pois são músicas mais antigas. Steven Wilson também é um cara que me influencia muito, principalmente nas artes de cd e vídeos.

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Sobre o cd, Bruno Aguiar e Samuel Chacon (esse também responsável pela Co-produção mixagem e masterização do álbum) fazem um trabalho digno de todo destaque e levam a música para caminhos mais progressivos e em alguns momentos virtuosos, fator que talvez seja a grande diferença do estilo de som pro seu trabalho na Wisache, esse foi um direcionamento que você deu intencionalmente ou foi natural devido a qualidade técnica dos membros?

BL: O Bruno Aguiar foi meu parceiro de banda durante muito anos, e eu sempre amei o jeito dele de tocar bateria, com uma pegada bem de metal progressivo. E pra mim o mais sensacional nele era que ás vezes a gente estava tocando Green Day, e ele vinha com aquelas viradas maravilhosas, quebradas de tempo que ás vezes eu até parava de prestar atenção no show, e ficava ouvindo a batera dele. Foi o primeiro nome que me veio na cabeça, e ele fez um trabalho espetacular, que influenciou diretamente até na estrutura de algumas músicas. Já o Samuel, toca comigo até hoje, trabalhamos na mesma escola, e temos uma afinidade musical muito grande. Com ele foi quase que por osmose, parecia que eu já sabia o que ele ia fazer. Eu só dei as cifras pra ele, mostrei uma frase ou outra, e ele gravou uns baixos que eu nunca imaginei que dariam certo. Sobre a mixagem e masterização, foi ouvindo uma banda que ele mixou e masterizou que me deu vontade de gravar o cd. Acho q se não fosse ele produzindo, eu nem tiraria do papel.

Esse cd também tem a participação pontual de alguns outros músicos. Fale um pouco sobre quais são as faixas, quem são os músicos e como foi o convite.

BL: Bom, vou falar primeiro do Iago, que foi meu aluno de guitarra por muitos anos e sempre gostou de compor também. Ele levava esboços de riffs pras aulas, e a gente ia trabalhando neles. Ele criava letras e me mostrava, e eu sempre gostava. Conversando com ele sobre o disco e mostrando as músicas, eu percebi que ele se interessou pelo projeto, então eu dei 3 músicas pra ele escrever as letras, e são minhas letras favoritas do disco, em uma delas, Inside, ele compôs até a parte q ele canta no disco. E valorizou muito a música, ele virou meu parceiro, e estamos inclusive compondo mais coisas juntos. O Raffa Cordeiro também se mostrou interessado, e eu perguntei se ele não queria participar de Misplaced, que era uma música que tinha 2 solos, e eu senti que precisava de outro guitarrista ali! Ele trouxe não só o solo dele, como uns arranjos matadores também. O Nathan Augusto, bom, o Nathan, quem não quer ter um solo dele gravado num disco né? Conheci ele através do Samuel, e ele me substituiu durante um tempo no Rockstation, eu convidei, ele topou e fez o solo mais bonito do cd, simples assim. Vale destacar meus ex companheiros Rod, Ghuzz e Rick Kilcher, que possuem participação em algumas das canções mais antigas.

De forma breve, gostaria que você falasse um pouco sobre a temática de cada letra e aproveitasse pra destacar quais foram escritas pra compor o álbum e quais são as que você resgatou de outros trabalhos.

BL: Bem, as temáticas são bem variadas, mas acho que tirando as duas que são para minha esposa (Till Nothing Do Us Apart e You’re Mine), todas possuem um tom mais baixo astral, de insegurança. Apenas 4 músicas tinham letras completas, e elas foram a base para fazer todas, dá até pra sentir uma certa conexão entre as letras, e foi com essa conexão que eu escolhi a ordem das faixas. Não estou falando que é uma história, mas as letras se relacionam e fazem um certo sentido. Chaotic Frame Of Mind, To Find It, Going out e Bring me Home foram as que resgatei. As outras todas foram compostas para o álbum.

Esse trabalho é sem dúvida um marco na sua carreira e possivelmente o início de uma nova fase, já tem planos pra dar continuidade nesse projeto solo, Lani vai virar uma banda?

BL: Bom, tenho planos de shows para o segundo semestre, e já tenho a banda que vai me acompanhar. E na verdade, o segundo disco já está pronto, só falta gravar. E sim, esse trabalho é o início de uma nova fase.

Pra finalizar, gostaria de agradecer pela entrevista, desejar toda a sorte do mundo nessa nova fase. Deixo o espaço aberto para você deixar seus contatos e caso queira, uma última mensagem.

R: Nada me deixaria mais feliz do que ter feedbacks do álbum, tanto positivo quanto negativo. O álbum está em todas as plataformas de streaming e no youtube. Então é ir lá escutar e dar o feedback. Agradeço também pelo espaço e pelo apoio, Rodrigo. Um abraço

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Produzido por Samuel Chacon e Roberto Leite

Gravado durante o ano de 2017 no Estudio Vila, no estúdio STA e no estúdio Area 51 em Belo Horizonte/MG – Brasil.
Beto Lani – Guitarra, violão, piano, voz
Samuel Chacon – Baixo,
Bruno Aguiar – Bateria
Raffa Cordeiro e Nathan Augusto – Guitarra solo em Misplaced
Iago Costa – Voz em Inside
Tracklist:
1 – Identity (Beto Lani, Rick Kilcher, Ghuzz, Noel Fernandes, Iago Costa)
2 – Chaotic Frame Of Mind (Beto Lani)
3 – Till Nothing Do Us Apart (Beto Lani, Rick Kilcher)
4 – Misplaced (Beto Lani)
5 – Everytime I Need To Win (Beto Lani, Rick Kilcher, Ghuzz)
6 – Not Bout You Not Bout Me (Beto Lani)
7 – Surrender (Beto Lani)
8 – Bright And Shiny Surface (Beto Lani, Rod Wisache, Iago Costa)
9 – To Find It (Beto Lani)
10 – Inside (Beto Lani, Iago Costa)
11 – You´re Mine (Beto Lani)
12 – Going Out (Beto Lani, Rick Kilcher)

Resenha: Wisache – Polluted (2007)

“… eles não vieram para reinventar a roda, mas sim para fazê-la girar da maneira correta…”

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Por Rodrigo Cordeiro.

Um dos melhores discos de Rock ‘não lançados’ do Brasil.

Pra quem não conhece, a Wisache, é uma banda Belo Horizontina que se destaca no underground nacional desde 2003,  sempre pioneira em intercâmbios musicais agregando força nas cenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, é uma das bandas de maior representatividade e qualidade no Rock n Roll mineiro.

Entre alguns términos, pausas, voltas, pausas de novo e mudança de formação, a Wisache voltou definitivamente a ativa em 2016 lançando um novo single, ‘Desert’ (ouça aqui), que apesar de ser uma grande música e tendo marcado a nova fase da banda, não será o foco da resenha, vou falar aqui sobre o primeiro ‘CD Full’ da Wisache.

Lançado em 2007, o Polluted não teve a merecida atenção na época e sim, quase 10 anos depois ainda é um disco atual e com muito feeling que você PRECISA escutar! O cd infelizmente não contou com um lançamento oficial, nem com distribuição a crítica especializada ou tiragem física pra atender a toda demanda, isso aconteceu devido a todas idas e vindas da banda, sendo assim, não teve seus – mais que justos – créditos, e tanto tempo depois é isso que vou fazer nessa resenha, pra acompanhar de o Play aqui enquanto falo das músicas!

Nesse cd a banda contava com Rod Wisache (vocais), Beto Lani (Guitarras), Rick Kilcher (Baixo) e Ghuzz Moreira (Bateria).

Se você gosta de Rock n’ Roll, seja do clássico ao Heavy Metal, esse cd cabe direitinho em sua playlist, um mix de músicas diretas, melodias agressivas e lindas com uma energia de ponta a ponta que é despejada de forma única pela banda. Com muita personalidade e maturidade musical, o Cd não fica atrás das grandes bandas do estilo. Em 12 faixas e pouco mais de 50 minutos de Rock n Roll direto, a banda explora ao limite os vocais ‘gritados’ e cheios de drive, guitarras presentes, lindas harmonias, com solos super melódicos – ao melhor estilo ‘Slash’ – e uma cozinha sem firulas que entrega a sustentação necessária para as músicas brilharem.

Uma das características mais interessantes da Wisache é saber mesclar com muita classe toda sua agressividade com partes cheias de dinâmica baixa e refrões ‘sing along’, tais características, presente meticulosamente em algumas faixas, fazem com que as músicas tomem uma forma única e evita a fadiga sonora do ouvinte, fugindo do óbvio a todo momento. No Polluted, fica claro que eles não vieram pra reinventar a roda, mas sim pra fazê-la girar da maneira correta. A banda sempre foi uma bomba relógio prestes a explodir, para quem acompanha a trajetória dessa galera, a torcida é sempre para que explodam para o lado certo e deem continuidade no trabalho, pois mesmo com toda a inconstância em sua história a banda nunca deixou de ser presente e tem fãs fiéis, coisa muito difícil num momento onde a música é tão descartável e obsoleta. É uma banda que tem mais de 10 anos de carreira, mas que cada vez que ‘reaparece’ é um sopro de ar fresco pra quem gosta de música bem feita. Se você não conhece e quer começar o play, te sugiro ouvi-lo na íntegra, quando Spit Screamin começar você não vai conseguir mais pular nenhuma faixa! Destaco Sides Apart, Rock n’ Rolled,  Turnin Red e a já ‘clássica’ Shout It, provavelmente a música mais conhecida da banda.

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Pra finalizar, vale lembrar que a banda fará a abertura do show do Sebastian Bach, em Belo Horizonte no Music Hall dia 15 de outubro, e ja está prestes a entrar em studio para gravar o sucessor do Polluted, a formação atual da banda conta com:

Rod Wisache (Voz)

Ghuzz Moreira (Bateria)

Bruno Musashi (Guitarra Base)

Bernardo Brandão (Baixo)

Beto Lani (Guitarra Solo)

Pra ficar ligado nas novidades da banda basta acessar:
Http://www.wisache.com

https://www.facebook.com/wisacheband

Dolores Dolores: Nova Identidade Visual

Por Rodrigo Cordeiro

LOGO QUADRADA PARA COLETANEA EM ALTA - DOLORES DOLORES

 
O Som da Dolores Dolores é concebido sem fronteiras ou estereótipos. É como dirigir em uma rodovia sem destino certo, apenas com o sentimento que você precisa fazer aquilo, daquela forma e naquele exato momento. Forçamos nossa expressão artística pessoal e conjunta ao limite, trazendo à tona toda a verdade que habita em nossas almas e fazendo o que de melhor sabemos fazer, música.

Nosso propósito sempre foi conseguir transferir para o público em forma de música toda essa liberdade do processo de composição e com isso o feedback sempre foi satisfatório; é comum ouvirmos das pessoas que nossos cds não saem dos seus carros ou que são a trilha favorita para suas viagens, e essa é a motivação que nos mantém vivos e inspirados para continuar escrevendo músicas que de alguma forma ainda tocam o coração das pessoas.

Baseado em nossas experiências pessoais e no retorno do público, revitalizamos nossa identidade visual, com uma nova logomarca e novo layout das redes sociais, em breve também estaremos disponibilizando para a compra o merchan da banda, espero que gostem e continuem pegando carona conosco nessa auto estrada sem destino.

Dolores Dolores.

Pra quem não conhece o som tem vários vídeos em nosso canal do Youtube:

 

Tambem estamos no Instagram como @Doloresdoloresrock e em todas as plataformas de Streaming (Spotify, Deezer, Itunes, Amazon, Cd Baby e Google Play) basta procurar DOLORES DOLORES

Solos Coloridos: A Sinestesia nas Guitarras do Rock

Por Rodrigo Cordeiro.

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Imagem retirada da internet, fonte: http://www.guitarcoast.com/2015/05/guitarras-de-acrilico_6.html

 

 

 

Através da música os artistas tem a possibilidade de despertar certas emoções nas pessoas e muitas vezes isso ocorre de forma totalmente racional, um cuidado mais comum nas composições eruditas em que histórias são contadas e existe a presença de personagens, temas de amor, danças e/ou enredos com momentos de tensão, tempestades, cavalaria, etc. No entanto, apesar de existirem músicas ‘populares’contemporâneas onde as harmonias e melodias se casam com a história (ou estória) contada, obviamente não podemos compará-las com as grandes obras dos compositores do passado. Erudita ou não, a música tem um poder tão forte que nos faz conseguir distinguir sentimentos e entendermos uma história mesmo sem existir uma letra e para mim, além do que é ‘dito’ nas entre-linhas de uma melodia, tenho o hábito de relacioná-las com cores.

Essa relação sempre foi muito presente na minha cabeça: Melodia = Cor e após um breve – porém esclarecedor – estudo sobre sinestesia, que a grosso modo é o cruzamento ou relação de diferentes sentidos (normalmente de forma espontânea), achei interessante falar um pouco sobre isso. Descobri que de uma forma mais abrangente, grandes músicos como Syd Barret e Jimmy Hendrix, além de muitos outros também sofriam do mesmo quadro, não sei dizer com certeza se existe uma forma de se diagnosticar isso, mas fato é que a minha Sinestesia acontece há muitos anos de uma forma muito natural e especificamente em solos de guitarra. Essa condição, também se apresenta em músicas em geral, principalmente nas músicas eruditas e em menor quantidade nas músicas contemporâneas, já nos solos de guitarra sempre esteve presente, em especial as cores Vermelho e Azul, Roxo e Amarelo e cinza (vou exemplificar todos). Isso nem sempre depende do ‘tema’ do solo, e é inteiramente dependente da característica do timbre do guitarrista; normalmente sinto uma tendência ao Azul nas guitarras com captação ‘humbucker’ em especial as de modelo Les Paul e um som vermelho para as guitarras com captação ‘single’ em especial as modelo Stratocaster, mesmo assim existem exemplos distintos de cores em modelos de guitarra iguais (Obviamente vai depender do aparato inteiro do guitarrista, e, claro, de sua técnica e ‘pegada’).

O azul normalmente aparece pra mim em temas mais ‘chorados’, é aquele solo que mais te emociona do que impressiona e como eu disse é mais comum em guitarristas que usam Les Paul; a cor azul normalmente está ligada a serenidade e harmonia ou frieza e depressão, e um dos mestres da cor azul – curiosamente – usa um modelo Stratocaster, trata-se de David Gilmour. Ouros guitarristas que flertam sempre com essa cor são: Slash, Gary Moore, Santana, Steve Vai e B.B King, só pra citar alguns. Abaixo coloquei 3 exemplos de Solos totalmente azuis pra mim.

David Gilmour – Confortably Numb

Gary Moore – Still Got The Blues

E uma das músicas mais azuis de todos os tempos:
Steve Morse – Sometimes I fell Like Screaming (Deep Purple)

 

Como é possível perceber nos exemplos acima, a sensação de serenidade e tristeza, estão presentes no tema e no timbre, o que me faz enxergar o azul, seus instrumentos soam aveludados, e é como se uma flauta ‘cantasse’ a melodia da guitarra, normalmente são timbres mais graves e encorpados.

No caso da cor vermelha, são solos mais ardidos e rasgados, o vermelho normalmente está ligado ao perigo, violência e energia, é uma cor quente e mesmo sendo relacionada a paixão, no caso em específico dos solos de guitarra nem sempre trazem esse sentimento. Dentre os tantos que costumam flertar com essa cor, citaria Stevie Ray Vaughan, Jimmy Hendrix, Angus Young e Ritchie Blackmore.

Abaixo 2 exemplos de solos vermelhos:

Stevie Ray Voughan – Pride and Joy

 

Angus Youg – Hells Bells (AC/DC)

 

Os solos vermelhos são mais ardidos, geralmente mais agressivos do que os azuis e tendem a ser menos “feeling”, na minha opinião.

Quando o guitarrista tem um pouco de cada, costumo enxergar o Roxo. Esse é  um caso menos comum, mas como essa cor representa a junção do vermelho e azul é a que aparece na minha cabeça para representar esse tipo de som. Um dos guitarristas consagrados que dominam muito bem o ‘roxo’ é o Richie Kotzen, ele tem muito de azul e vermelho mesmo com uma maior tendência ao vermelho. Como exemplo, resolvi usar um solo do Humberto Maldonado (Dodo) que é Guitarrista, produtor e meu ‘bandmate’ da Dolores Dolores, é um mestre no assunto, sempre com solos melódicos e serenos, mas ao mesmo tempo bem ardidos e virtuosos.

Humberto Maldonado – In Spite of Me (Dolores Dolores)

 

A Cor Cinza, apesar de representar elegância e neutralidade, eu normalmente a relaciono a melancolia e mais em específico a sons um pouco mais obscuros e macabros, o Rei nesse assunto, que também não fica atras no âmbito da elegância seria Tonny Iommi, e tenho certeza que esse é um caso que o som em geral da banda me leva a enxergar essa cor.

Tonny Iommi – Eletric Funeral (Black Sabbath)

 

Um ‘plus’ apenas para não passar batido é a cor amarela, que geralmente eu enxergo em timbres que estão além do Azul na serenidade e além do vermelho na agressividade, e que fogem da simples mistura das duas cores, no momento, eu apenas consigo me recordar do Van Halen nessa categoria e creio que ele desenhe as melodias de sua guitarra sozinho nessa cor.

Van Halen – Why Can’t This Be Love

 
Bom, minha experiência com a Sinestesia é essa. Espero ter conseguido explicar a minha relação com o assunto de uma forma clara, acabei ficando fascinado pelo tema desde que descobri que existe um nome e estudos sobre isso, vou me aprofundar e possivelmente em um futuro breve abordá-lo de forma mais profunda. E você, tem alguma experiência Sinestésica parecida?!

Música & Mídias digitais: Entrevista com Leandro Martins

Um dos meus maiores objetivos com a criação desse WordPress, é a divulgação de forma colaborativa do trabalho de profissionais – principalmente – da área da música que com suas opiniões nos ajudam a refletir sobre as plataformas atuais do mercado.
Sendo assim, tenho a vontade que essa seja a primeira de muitas entrevistas e colaborações com os profissionais que agregam valor a esse conteúdo. Para estrear convidei ‘meu amigo pessoal’  Leandro Martins para falar um pouco sobre o modelo de distribuição da música e seu trabalho nos dias de hoje, de antemão já agradeço sua predisposição em participar e vamos lá:

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Em primeiro lugar obrigado por aceitar o convite, conte um pouco da sua história com a música e da sua formação.


L.M: Bom, desde criança tive a influência do meu pai, que sempre tocou violão, e da minha mãe, que sempre foi apaixonada por piano, entretanto era mais uma brincadeira. Aos 6 anos, iniciei aulas de piano, praticava em um órgão velho que eu por sinal amava o som. Nessa época eu troquei de instrumento algumas vezes até que, aos 11 anos, eu cai no violão e acabei me apegando muito, talvez pela facilidade de poder levar o violão para qualquer lugar, não precisar de tomada, poder tocar em qualquer horário… Mesmo assim, depois de um tempo, fui para o contra-baixo, e posteriormente para a guitarra, instrumento que sempre quis tocar mas nunca havia tido a oportunidade, acabei me viciando na guitarra e desde então é meu instrumento principal.


É notável que vemos uma grande parcela dos profissionais da música mais antigos avaliando a internet, em especial os serviços de streaming como Spotify, Deezer, Youtube e outros, como um dos fatores preponderantes para a queda do consumo da música paga, em contra partida temos uma série de novos artistas/bandas que surgiram para o grande público justamente por conta desse tipo de plataforma. Como você avalia o modelo de distribuição da música atual e como isso influência na sua forma de se colocar no mercado?

L.M: O momento em que vivemos não é nada fácil para quem quer ser músico, porém ficar reclamando não leva a lugar algum, então o que resta é nos adaptarmos, dessa forma, ao mesmo tempo em que se tornou complicado ganhar dinheiro com música se tornou mais fácil divulgar, me lembro 15 anos atrás só quem me conhecia eram as pessoas do meu bairro, atualmente, devido a internet, pessoas do mundo inteiro acompanham meus vídeos. Mas independente das mudanças que o mercado vem sofrendo eu acredito que o excelente músico sempre terá espaço, as vezes ele vai gravar, as vezes tocar em shows, ou dar aulas. A intimidade com seu instrumento é e sempre foi o ponto mais importante para um músico.


Você tem diversos videos interpretando covers e músicas autorais no seu canal do Youtube e mais recentemente começou a disponibilizar faixas do seu DVD ao vivo instrumental gravado recentemente, você acha justo a distribuição -praticamente- gratuita da música na atualidade?

L.M: Absolutamente não, não acho justo, porém não há escolha, se eu for cobrar poucos pagarão, e disponibilizando um bom material gratuito eu consigo atingir mais pessoas, tocar com mais bandas e dar mais aulas, ou seja, você faz um trabalho para ter retorno com outro trabalho.


Existem artistas hoje que produzem apenas para seus canais de vídeos, trazendo conteúdos mais curtos e rápidos como músicas pequenas ou apenas mini video aulas, licks rápidos e trechos de algum material que poderia ser mais aprofundado, assim como a rádio sempre influenciou muito no mercado mais ‘pop’ com músicas mais curtas e enxutas para melhor assimilação do público em geral e outras ‘exigências’ para execução. No seu caso, o seu processo de composição e divulgação é livre ou é influenciado por esse tipo de plataforma?

L.M: Para mim o mais importante é sentir que o meu trabalho me faz evoluir como músico, não pretendo ficar fazendo vídeos que apenas me tragam visibilidade porém sem me desafiarem de algum modo. Para mim seria muito mais fácil postar vídeos improvisando no youtube do que compor músicas, fazer arranjos…mas não é o que pretendo fazer.
 

A internet favorece em muitos aspectos mas nos trouxe a tona um mercado de músicos e composições enlatadas. Quais os principais fatores que o fazem se distanciar da ‘mesmice’ do mercado atual?

L.M: O que eu busco é a música, por mais que nós tenhamos resquícios culturais que nos fazem seguir certos caminhos eu sempre tento responder da forma mais pura quando estou compondo, nunca fico pensando “vou colocar esse acorde porque todo mundo faz assim”, eu prefiro ir pelo caminho mais “sincero”. Dessa forma você tem mais chance de ser menos comum.


Alguns anos atrás você havia me dito que tinha intenção de que próximo dos seus 30 anos gostaria de gravar um cd onde você também cantasse, isso ainda está nos planos?

L.M: Sim, sem dúvidas, é meu projeto principal desde o ano passado, já tenho mais de 80 músicas e ainda não estou satisfeito, compus muito ano passado e esse ano, tanto em inglês, quanto em português, estou realmente me descobrindo, está sendo maravilhoso para mim. Mas é um projeto onde não quero demarcar prazos, estou compondo, gravando, mas ainda não sinto que está do jeito que eu quero.


Quem acompanha seu trabalho sabe que apesar do seu ‘pouco’ tempo de Belo Horizonte, você é um dos músicos mais ativos da cena mineira. Entre trabalhos com bandas autorais, produções independentes, freelancers com cantores e duplas sertanejas e seu trabalho solo você se destaca como músico e como instrumentista. Quais são os pontos positivos e negativos nos resultados finais de se trabalhar com tantas bandas e artistas diferentes e o quanto isso ajuda/atrapalha seu trabalho solo?

L.M: Sem dúvida toma muito tempo, essa é a parte ruim. Ao mesmo tempo sempre precisei de grana para me manter então tinha que estar tocando, e obviamente você aprende muito em shows, eu sempre me considerei um músico de palco, meu lugar é muito mais no palco que no estúdio. Mas sinto que no momento preciso sair um pouco do palco para concentrar nesse novo trabalho, e é isso que farei.


Você teve a oportunidade de morar em Malta e rodar em alguns lugares da Europa, o que te chamou a atenção nas diferenças culturais das cenas locais para a de Belo Horizonte?

L.M: As pessoas na Europa valorizam mais a música autoral do que aqui, essa foi a minha experiência. Vendi vários discos, além de ter tocado em um projeto muito louco, eram dois percussionistas, baixo e guitarra, nós não ensaiávamos, não havia repertório, era praticamente tudo improvisado, eu criava temas em tempo real e o povo adorava. Não creio que isso daria certo por aqui.


Qual a sua opinião sobre essa ‘batalha’ eterna da cena Cover x Autoral, os espaços dedicados, o público e a visão do empresário?

L.M: Generalizando, o empresário quer apenas ganhar dinheiro, o público quer apenas beber, e o músico quer apenas tocar…Claro que isso não funciona com todo empresário, nem com todo público ou todo músico, mas sinto que essa balança está cada dia pior, no Brasil o povo vai no show para beber e cantar, ou seja, música autoral está fora, ao menos que você toque na rádio, e tocar na rádio é um outro problema talvez ainda maior…


Você conseguiria imaginar um caminho para a sua carreira caso não existissem redes sociais e divulgação pela internet?

L.M: Sim, sem dúvida, antigamente todo mundo que me conhecia havia me visto em um show, ou algo do tipo, o público era muito mais fiel, sempre iam nos shows, hoje em dia você coloca um vídeo no facebook, alguns curtem e se você colocar amanhã outro vídeo essas pessoas já nem sabem mais quem você é…


Você consegue vislumbrar um futuro positivo para a música de qualidade ou acha que de fato o mercado esta imerso num tal patamar que a tendência é que se piore? Acha que as redes sociais tem papel fundamental para isso?

L.M: A única solução que vejo para um músico que quer fazer uma música de qualidade hoje em dia é que ele seja realmente incrível, não estou falando do cara ser bom, o cara tem que ser um absurdo, não necessariamente tocando, ele pode ser um fantástico compositor, ou cantor, ou ser fantástico no palco, ou seja, ele precisa ser incrível em alguma coisa.

Obrigado, espaço para deixar seu recado, contatos, site, redes sociais

Bom, meu site é: www.leandromartins.com , tem também meu canal no youtube, minhas páginas no facebook, em todas essas redes é possível conhecer meu trabalho.
Muito obrigado pelo espaço, é sempre muito legal tratar destes assuntos, tentar encontrar novas soluções…

Espero ter ajudado de alguma forma.

Leandro Martins.

Para encerrar, deixo para vocês uma das minhas músicas prediletas do Leandro!

https://www.youtube.com/watch?v=BptWBg45yCE

O Último Suspiro do Rock n’ Roll

O Último Suspiro do Rock n’ Roll

Por Rodrigo Cordeiro

 

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Foto retirada da internet (crédito: mygnrforum.com)

 

 

 

Em primeiro lugar não estou aqui para dar aula de Rock pra ninguém, até porque tenho muito que aprender e isso não se faz em um texto, mas sim ouvindo as influências de suas influências e “bebendo na fonte”. Acredito que se aprende um pouco sobre o Rock caminhando por sua história: Desde a música feita pelos negros nos anos 30 e 40 (Vide Sister Rosetta Tharpe – para alguns a precursora do estilo) seguindo pelo mais mainstream (Chuck Berry, Elvis PresleyThe Beatles, The Rolling Stones, etc..) passando pelo Queen, Led Zeppelin, Aerosmith e um pouco mais adiante Nirvana e Guns n’ Roses… Ah! o Guns n’ Roses! O que dizer dessa banda?! A mais perigosa do mundo! Bom, este texto foi escrito por causa deles!

O Rock n’ Roll está morrendo? Bom, eu acredito que nunca morrerá de fato, visto que ainda há algumas bandas o representando na grande mídia (goste ou não, o Foo Fighters está aí!). Então porque temos ouvido e lido tanto sobre a morte do Rock n’ Roll e a falta de esperança no estilo? Em minha opinião é pelo que ele virou. O Rock é transgressor, sempre foi e sempre deveria ser: falou o que ninguém falava e deu um tapa na cara da sociedade desde seu início, seja nas atitudes agressivas, nas letras para refletir, nas quebras de paradigmas e preconceitos, nas roupas e maquiagem ou em todo o exagero que circunda e enche de ‘glamour’ os envolvidos, e atualmente tem ficado deveras bonzinho.

O estilo em meados dos anos 90 e início dos anos 2000 veio perdendo força com a falta de espaço na mídia e a chegada de novos gêneros musicais, além da mudança nos formatos de distribuição da indústria fonográfica e a falta de verba das gravadoras devido à queda de vendas e afins. Consequentemente vem ocorrendo uma constante baixa na demanda pela maioria ‘consumidora’ e uma aceitação mais abrangente sobre o que é Rock por parte dos seus atuais consumidores. O rótulo nem sempre é importante e podemos englobar muitos artistas de cunho mais midiáticos dos últimos anos, como é o caso do já mencionado Foo Fighters, Nickelback, Slipknot, SoaD e outros, mas o tipo de transgressão que essas bandas oferecem ainda é falho quando as colocamos nos patamares das ditas ‘bandas clássicas’, isso sem falar das bandas que não tem absolutamente nada a ver com o estilo e caem de paraquedas nesse grande gênero (como é o caso de Coldplay, Radiohead, Imagine Dragons, etc). Um fator preponderante para saída dos figurões e entrada de bandas como essas é a velocidade da informação e o fácil acesso as músicas (mp3 e as atuais plataformas de Streaming). Talvez isso nos induz a não dar a atenção devida às novidades das bandas clássicas e nem as grandes bandas novas que escutamos por aí, resultando em uma enorme escassez de novos ídolos no mercado do Rock (agravada pela morte dos que já se foram e dos que estão indo) e deixando as portas abertas para as chamadas “bandas de internet” que – salvo certos raros casos – em sua maioria tratam-se de jovens que não tem nenhuma afeição e empatia com o estilo, mal sabem empunhar seu instrumento e fazem parecer que o Rock  pode ser feito por qualquer um. Um engano grave na música atual! O Palco não é pra qualquer um, ainda mais quando o assunto é Rock, você precisa ser verdadeiro! O rock é transgressor, mas nem toda transgressão é Rock!

A falta de novidade também contribui para a decadência, o que não necessariamente significa falta de criatividade das bandas, músicos e artistas que o permeiam, até porque o brilho está na‘simplicidade’ vitalícia do Rock, é um estilo finito e cíclico, mas que necessariamente deve continuar assim. O que faz a diferença é cada arranjo, cada solo primoroso, cada letra genial e cada groove, seja ele o mais ‘simples’ como os do AC/DC ao mais complexo que John Bohan já tenha tocado. Porém, se existe uma banda que pode trazer o Rock de volta para o Mainstream, essa banda é o GUNS N’ ROSES.

Acredito eu que nenhuma banda conseguiu ser tão agressiva e tão popular quanto o Guns n’ Roses foi no início dos anos 90, sua história e sucesso repentino vindo de L.A no auge da criatividade musical e insanidades particulares daqueles 5 caras, junto a todos os problemas e exageros que dizem ter vivido/cometido, ao visual arrebatador e diversos outros fatores tivemos a última grande banda de Rock de verdade. Sim, é isso mesmo! Música, Atitude e Verdade no que faziam. Não vou me perder nesse texto entrando nos méritos da esplendorosa história da banda, vou me ater ao seguinte tema:

–  O que significa pra música a volta de Slash e Duff para o Guns n’ Roses?
Pra mim, como o título já adianta significa “O Último Suspiro do Rock n’ Roll”. Embaso minha – talvez – audaciosa tese nas figuras icônicas que são Slash e Axl Rose. A grande ‘volta’ como muitos tem tratado, na verdade não é uma REUNION e é justamente o que acende em mim a chama da esperança e o brilho no olhar ao vê-los juntos no palco novamente, afinal foram 23 longos anos de separação entre Axl e Slash.
Resumidamente, a história recente é: com a baixa de 3 membros que já acompanhavam a banda há muitos anos (Ron Bumblefoot, Dj Ashba e Tommy Stinson – esse último foi um dos membros com mais tempo de banda) aconteceu o retorno de Slash e Duff (voltando ao formato ‘clássico’ de 2 guitarras) e foram mantidos o Baterista Frank Ferrer , o guitarrista Richard Fortus, Dizzy Reed nos Teclados, Pianos e programações e a mais recente Gunner Melissa Reese também nos teclados e programações. Bem provável que Adler e Izzy participem de algumas musicas em alguns shows, mas isso é outro ponto.

Com tudo que envolve essa nova/velha fase do Guns, e toda a mídia já gerada pela volta de Duff e principalmente Slash, temos de volta 3/5 da maior banda de Rock dos últimos 25 anos. Existe uma magia especial e inexplicável que os envolvem e sei que veremos novamente grandes canções do Guns n’ Roses em muito breve, podendo atrair a atenção do mercado consumidor para o Rock.
Isso pode e deve influenciar as diversas gerações atuais que carecem de Rockstars, assim como as novas gerações de guitarristas (Slash foi o último ‘guitar hero’) e consequentemente uma vindoura safra de boas bandas com algum espaço maior para elas e para quem já esta na estrada há algum tempo e não tem a visibilidade.

Para concluir todo meu otimismo com o Guns n’ Roses e dedicá-los a árdua tarefa de ‘salvar’ o Rock, ressalvo as más noticias e previsões como o recente anúncio de aposentadoria em 2 ou 3 anos do Black Sabbath e Aerosmith, os já aposentados do Motley Crue, uma não muito longe do Iron Maiden, Kiss, Rolling Stones e provavelmente alguns outros que devem encerrar suas carreiras (forçadamente ou não) em breve.

Portanto esse é provavelmente o ‘Último Suspiro do Rock n’ Roll’!

Termino esse texto com esse vídeo maravilhoso da formação atual da banda tocando uma música do Chinese Democracy, This I Love.